— Para onde vamos hoje?
— Não sei… Tem algo em mente, pequena?
— Pensei que hoje poderíamos… Deixa pra lá.
— Fala.
— Não…
— Vai começar?
— Não, não… É só que… Deixa para depois, tudo bem? Sei que você tinha pensado em algo para nós. Quero saber o que é.
— Se é assim que você quer… Pensei que a gente podia ir ao cinema, sabe? Depois assistir o pôr do sol. Tem um filme muito bom passando…
— Bom? Bom como, Caio? Bom como?! Não vá me dizer que é filme de sangue. Da última vez você já sabe, né?
— Mas pequena… Uma aventura de vez em quando não faz mal…
— Não faz mal?! Não foi você que teve que sair nos dez primeiros minutos daquele bendito filme!
— (Risos)
— Caio, para de rir de mim! Eu não vou ao cinema para assistir uma coisa igual aquela. Não vou!
— Você fala demais… Já lhe disse isso?
— Vai querer arranjar defeito?!
— E eu lá disse que era defeito, garota?!
— Garota, garota blá blá. Vai começar…
— Começar com o quê?
— Com esse seu jeito ai…
— Não tá gostando, é?! Acha um melhor!
— (Risos)
— Por que é que você tá rindo Julia?! Não vejo graça nenhuma nisso…
— Como fala…
— Você me deixa louco…
— Eu sei.
— Convencida que só…
— Você não mudaria. Não me mudaria.
— Mas é claro! Se eu mudasse não seria mais você. E eu me apaixonaria pelo quê?
— Olha lá como você se refere a mim…
— Mas… Pequena, você entendeu!
— Não vou dizer nada pra você. Sério. O filme… Qual é o filme da vez?
— Aquele clichêzinho americano que você queria tanto ver…
— Vai ficar se martirizando agora, é?! (Risos)
— Até que ponto chegamos…
— Comprou a entrada?
— Sim, a minha está aqui. A sua está com você?
— Eu não acredito que você realmente vai assistir o filme!!! Você vai dormir. Nossa!!! Certeza, você vai dormir.
— Vou ficar pensando em você, pequena.
— Vai ficar sonhando, isso sim.
— Não deixa de ser uma forma de pensar… Depois onde vamos comer?
— Não sei… Qualquer lugar está bom.
— Mas que ânimo… Não tá afim de sair hoje? A gente pode sei lá… Ficar em casa. Assistir Sessão da tarde.
— Agradeço a oferta, mas eu ainda não tenho sessenta anos.
— Então porque esse tom de voz?
— Não… Não é nada. Veremos o pôr do sol depois, certo?
— Isso! Minha programação hoje.
— Eu gostei.
— De verdade?
— Sim! A sessão já vai começar…
— É, vai mesmo! Temos que entrar.
— Ai também? Ai também já vai começar, Caio?
— Sim, pequena. Sincronia… Pela primeira vez.
— Você me liga depois?
— Ligo, ligo pra te contar como foi…
— Não dorme, Caio.
— Não vou dormir! Estou até levando comigo uns lencinhos de papel.
— Vou te fazer contar o filme inteiro depois.
— Engraçadinha você…
— Isso é sério!
— Estão pedindo pra desligar os celulares…
— Tudo bem… Queria que você estivesse aqui.
— “Queria”, não me desmerece assim…
— É sério.
— Achei que com o tempo eu não precisasse mais dizer essas coisas…
— Caio…
— Achei que você já soubesse.
— Eu sei. Até mais.
— Até mais, pequena. Até o pôr do sol.
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