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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Não suporto mais fingir que a sua ausência não me afeta. Fico remoendo as lembranças e vivendo de coisas antigas, enquanto cada centímetro de mim mesma busca por você, te chama, te precisa. Mas finjo ser forte. Finjo ser algo que jamais poderia ser. Finjo ser alguém que não precisa de você. E de tanto fingir acabei me suicidando aos poucos. A cada dia se esvaia uma parte de mim que precisava de você. A cada dia morria uma pequena vontade de te ter e uma grande parte essencial em mim para viver. Não tá dando sem você. As ruas parecem mais frias, as esquinas me trazem desilusões, não tá dando pra continuar vivendo enquanto espero você se sentar para almoçar, comentar sobre o seu dia, trocar umas palavras, to esperando você chegar com beijinho, com carinho, com amor. Me acostumei a esperar, esperar você voltar, esperar eu mesma. E cada vez as horas correm mais devagar, mais doidas, mais sem você. E você que custa a perceber. Eu ainda te quero. Ainda continuo a chamar o seu nome nas madrugadas em que o edredom não consegue esquentar o meu corpo como você. Ainda continuo a querer o seu corpo junto ao meu enquanto tomo o banho. Ainda continuo a observar a xícara que você abandonou no armário. Às vezes me sinto como aquela xícara que você tanto dizia amar, mas que agora é apenas um xícara… Uma que você nem sente falta. Uma que foi tão esquecida que nem nas suas lembranças habita. Você não entende. Você não percebe. O que tens aqui é apenas seu. Essa saudade, esse amor, esse corpo, essa vida, esse eu. Enquanto eu continuo aqui buscando em outros os cantos um pouco de ti, para você, virei apenas lembranças. Uma lembrança boa, mas apenas uma lembrança. E ti, que era tão cheio do “para sempre” se foi e deixou com essa falta de ti, essa falta de mim, nomeou meu coração como teu e se foi. Se foi, e essa ausência me perturba, me corroí, me mata. Diga-me quando volta, e se volta. Arranca de mim essa esperança que insiste em se multiplicar como uma célula cancerosa. Não deixe-me criar mais expectativas em algo que não existe mais - ao menos não em você. Permita-me ser livre como és. Livre desse passado que me aprisiona a cada dia mais, dessa vontade de insistir em ser algo que jamais poderá ser novamente. Liberte-me dessa prisão que um dia chamamos de amor, dessa vida que não mais nos pertence. Quero ser livre para sorrir sem chorar. Poder construir um futuro sem sua interferência. Ou então volte. Volte e me faça mais eu. Faça-me mais sua, para que assim eu possa ser nós. Mais uma vez. Será que você nunca vai sentir saudades do cappuccino quente, nunca lembrará daquela velha xícara encostada, tão cheia e tão vazia, mas que sempre esteve ali? Sabe, essa xícara sou eu. Sou eu pronta pra ter você de volta, como sempre estive. Me tira de perto das lembranças, eu quero um futuro, e de preferencia, um futuro com seu cheiro no meu cabelo, na minha camisola, no meu cobertor, travesseiro, com seu cheiro dentro de mim de uma maneira tão boa que eu me sinta completa novamente. Eu quero o nós. Quero que nosso amor seja igual. Para nós completarmos, para que eu entenda tuas maneiras de amar e você entenda as minhas. Como fazíamos antigamente, quero entender suas palavras no seu silêncio mais rigoroso. Quero olhar no fundo dos seus olhos e descobrir os segredos que tanto guarda. Quero voltar a ser o seu clichê. Volte pra esse apartamento vazio e frio. Volte e traga aquele vinil da Elis que tanto adora. Se você voltar eu prometo nunca mais reclamar sobre a sua mania de ouvir música às quatro e quinze da manhã. Volte e eu não me importarei de acordar às oito e meia para ir caminhar com você. Volte e adapte-me a sua vida, como adaptei a minha exclusivamente à você. Vamos abandonar esse singular em vida. Não me importo com o que pode vir a acontecer. A vida é cheia de surpresas e a melhor que eu tive é você. Leve a mim, as lembranças, as recordações. Eu ando cheia de silêncios gritantes, esses silêncios, gritam por teu nome e te precisam. Palavras que não valem nada, mudas, desconexas, tá tudo perdendo o sentido. Já é hora de voltar pra casa, voltar pra mim, me olha nos olhos e diz a verdade, diz a verdade, diz que foi porque não me ama mais e que não me quer, faça com que eu te odeie. Por favor. Não posso continuar rebuscando tuas palavras doces, tentando ler suas entrelinhas. Deixe claro o que quer, deixe que eu te odeia com todo o meu amor. Eu não quero te precisar, não assim, não se for tu ou eu. Quero ficar viva, viva literalmente. Não quero apenas existir, como uma zombie que caminha pelas ruas em busca de algo que não sabe o que é. Quero acordar em um dia de sábado e já saber o que fazer no domingo. Quero assistir aqueles filmes românticos sem precisar lembrar que eu nunca terei uma história como aquela, sem precisar saber que o meu final feliz não existe. Quero poder viver sem ter qualquer interferência do nosso passado. Com a interferência de algo que já foi de um bem maior mas que agora é um doce venenoso. Quero te dizer todas as palavras mais doces que guardo a cada segundo, te tocar de modos diferentes, te fazer cafune, te mimar, eu quero o nós presente, passado, e futuro. Vem. Volta pra mim, enrosca sua mão nos meus cabelos, aqueça meus pés frios em uma madrugada qualquer, venha que eu tento fazer você feliz. Venha que eu te encho de mim, encho de tanto amor. Só vem. Vem e transforme essa tristeza em amor sem validade, sem dor, sem incertezas.
Amanda Pupin e Beatriz Coelho.

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